PENNYWISE – COLISEU DOS RECREIOS

PENNYWISE ARRASAM O COLISEU E PROVAM QUE O PUNK ROCK CONTINUA VIVO

Há concertos que se veem. Há concertos que se vivem. E depois há noites como a de 30 de junho, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde se respirou punk rock do primeiro ao último segundo.
Mais de vinte anos depois da última passagem por Portugal, os Pennywise regressaram finalmente ao nosso país e encontraram uma sala completamente esgotada, pronta para devolver à banda toda a energia acumulada durante duas décadas de espera. A organização da Hell Xis merece uma palavra de destaque. Num país onde muitas vezes se diz que “o punk não vende”, a promotora provou precisamente o contrário, reunindo centenas de fãs para celebrar uma das bandas mais importantes da história do hardcore melódico.

SOUL CRUSHER

Soul Crusher: abrir as hostilidades
A noite arrancou com os portugueses Soul Crusher, um autêntico coletivo de veteranos da cena nacional. Sem perder tempo, despejaram riffs pesados, breakdowns certeiros e atitude suficiente para acordar qualquer um que ainda estivesse a chegar ao Coliseu. Um projecto que vamos seguir com muita atenção.

END IT

End It: hardcore sem filtros
Vindos de Baltimore, os End It estrearam-se em Portugal e deixaram claro porque são um dos nomes mais falados da nova geração do hardcore.
Curtos, rápidos, agressivos e completamente sem concessões. O vocalista dominou o palco com uma atitude desafiante, enquanto a banda disparava tema atrás de tema como se cada música fosse a última.
O mosh ganhou outra dimensão e o público português respondeu exatamente como a banda esperava: caos organizado, suor e respeito mútuo.
Uma estreia que deixou muita gente a pedir o regresso dos norte-americanos.

PENNYWISE

Pennywise: vinte anos de espera… setenta minutos de catarse
Quando as luzes se apagaram e começaram a ouvir-se os primeiros acordes de “Peaceful Day”, o Coliseu explodiu.
Não houve introduções demoradas nem momentos mortos. Os Pennywise entraram para fazer aquilo que sabem fazer há quase quarenta anos: tocar punk rock de peito aberto.
Jim Lindberg mostrou porque continua a ser uma das vozes mais carismáticas do género, enquanto Fletcher Dragge manteve a irreverência de sempre. A banda soou pesada, rápida e incrivelmente sólida.
Pelo meio desfilaram clássicos como “My Own Country”, “Straight Ahead”, “Same Old Story”, “The World”, “Waiting”, “Society” e, claro, o inevitável “Fuck Authority”, cantado em uníssono por uma sala inteira que parecia não ter esquecido uma única palavra. O alinhamento ainda abriu espaço para homenagens a NOFX, Bad Religion e uma surpreendente versão de “Stand By Me”, antes do regresso aos hinos que construíram a identidade da banda.
Bro Hymn: o momento em que o Coliseu cantou sozinho
Mas havia um momento inevitável.
Quando começou “Bro Hymn”, deixou de existir palco e plateia. Existia apenas uma enorme família punk a cantar um dos maiores hinos da história do género.
Durante largos segundos, era impossível distinguir a voz de Jim Lindberg da voz do público. O Coliseu transformou-se num coro gigante onde cada refrão era cantado com a mesma intensidade com que muitos o descobriram nos anos 90.
Foi emocionante. Foi arrepiante. Foi exatamente aquilo que um concerto de Pennywise deve ser.

A Caixa Negra no sitio certo
O punk rock nunca precisou da aprovação das rádios, dos algoritmos ou das modas para sobreviver.
Sobrevive porque existe uma comunidade que continua a aparecer, continua a cantar, continua a acreditar.
A noite de 30 de junho foi muito mais do que um concerto. Foi a prova de que o hardcore e o punk continuam vivos em Portugal, com uma nova geração pronta para pegar no testemunho e uma velha guarda que nunca deixou de estar presente.
Obrigado à Hell Xis por tornar este reencontro possível.
Se demoraram vinte anos a voltar…
…esperemos que não demorem outros vinte.

Hell Xis: quem mantém viva a chama
Nos últimos anos, falar de punk rock e hardcore em Portugal é, inevitavelmente, falar da Hell Xis. Enquanto muitos olham para este tipo de concertos como um risco, a promotora continua a provar que existe um público fiel, apaixonado e disposto a encher salas quando os nomes certos chegam ao nosso país.
Depois de ter trazido os lendários Bad Religion em 2025, a Hell Xis voltou a elevar a fasquia em 2026 com o tão aguardado regresso dos Pennywise, mais de duas décadas depois da sua última atuação em Portugal. Dois nomes incontornáveis do punk rock mundial, duas noites memoráveis e a confirmação de que a cena nacional continua viva e com sede de concertos desta dimensão.
Mais do que organizar espetáculos, a Hell Xis tem construído pontes entre gerações. Há quem tenha descoberto estas bandas através de cassetes e CDs nos anos 90, e há quem as esteja a ver ao vivo pela primeira vez. No pit, essa diferença desaparece. Fica apenas a música, a energia e a comunidade.
Perante este percurso, a pergunta impõe-se: o que estará a Hell Xis a preparar para 2027? Se os últimos dois anos nos trouxeram Bad Religion e Pennywise, a expectativa só pode aumentar. Seja qual for a próxima cartada, uma coisa é certa: a fasquia está altíssima e os fãs portugueses já demonstraram que estão prontos para continuar a escrever novas páginas da história do punk e do hardcore em Portugal.

Vão a concertos,apoiem o underground nacional

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