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GUILT TRIP + MEDO + SOUL CRUSHER

GUILT TRIP + MEDO + SOUL CRUSHER

Na noite de 22 de Março, o RCA Club confirmou aquilo que já se antecipava: um concerto pensado para o confronto direto, sem filtros, sem distância e com uma intensidade que só espaços pequenos conseguem amplificar. O regresso dos Guilt Trip a Lisboa não foi apenas um concerto, foi uma afirmação de força num circuito onde o hardcore continua a crescer em músculo e relevância.

SOUL CRUSHER

Os Soul Crusher, em contexto de estreia ao vivo, mostraram ambição. Houve energia, entrega e vontade de marcar território, ainda que com algumas irregularidades naturais de quem está a dar os primeiros passos em palco em conjunto. O projecto nasce de um desafio do Mike Ghost ao Congas de fazerem música em conjunto e apesar de já terem dois EPs no Bandcamp este foi a primeira presença em palco. Com Congas na voz há sempre uma sensação de For the Glory, banda referencia do hardcore nacional que ainda puxa muitas lembranças nos fãs. Cumpriram o seu papel, ajudando a criar uma progressão clara até ao caos controlado do cabeça de cartaz.

M.E.D.O.

Já os M.E.D.O. entraram com nervo e sem rodeios, fiéis à estética crua do hardcore nacional. O som foi direto, com riffs secos e uma presença de palco que vive muito da atitude conjugada dos seus membros. Funcionaram bem como gasolina e cima de fósforo, já que incendiaram o público mais apagado, sobretudo os relutantes em chegar mais próximo da frente.
Vejam o nosso Shot on site com o Ricardo Catarro e o Afonso Ferreira, vocalista e o baterista dos M.E.D.O.

GUILT TRIP

Quando os Guilt Trip sobem ao palco, a diferença é imediata. Não apenas na execução, mas na forma como dominam o espaço.
A banda de Manchester, conhecida pela fusão entre hardcore e thrash metal , trouxe um alinhamento sem concessões, com temas como “Severance”, “Broken Wings”, “Tearing Your Life Away” ou “Thin Ice”, além de uma inesperada cover de “Davidian” dos Machine Head, que elevou ainda mais o nível de caos na sala.
O concerto foi construído como uma descarga contínua. Sem pausas longas, sem discursos excessivos. Apenas riffs cortantes, breakdowns pesados e uma secção rítmica que empurra constantemente o público para o movimento.

CROWD

Se houve elemento determinante nesta noite, foi o público. O RCA Club transformou-se rapidamente num espaço de colisão constante, com circle pits permanentes, stage diving frequente e contacto físico intenso, mas controlado dentro do código hardcore.
A proximidade da sala amplificou tudo. Cada breakdown era sentido no peito, cada vocal era devolvido em coro. Este tipo de concerto não se observa, participa-se.
Este concerto não foi apenas a estreia dos Guilt Trip como cabeça de cartaz em Lisboa. Foi a confirmação de que a banda já opera num patamar superior dentro do circuito europeu.
Num cartaz bem estruturado, com uma base nacional competente e um headliner em clara ascensão, a noite assinada pela HellXiss provou três coisas:
• o hardcore continua vivo e relevante em Portugal
• o público responde quando há autenticidade
• os Guilt Trip estão prontos para salas maiores, mas continuam perigosos nos espaços pequenos
Para quem esteve lá, ficou claro: isto não foi só mais um concerto. Foi uma descarga coletiva de energia, daquelas que deixam marcas na memória e… no corpo.

A Caixa Negra quer deixar um agradecimento sincero à organização HELLXIS , às bandas ao RCA e ao público

Vão a concertos,apoiem o underground nacional

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