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SLAX METAL FEST

SLAX METAL FEST – RCA

RCA Club, Lisboa, 7 de fevereiro

A 4ª edição do Slax Metal Fest confirmou aquilo que muitos já reconhecem, este não é apenas mais um evento do circuito underground, é um verdadeiro termómetro da vitalidade do metal nacional. 
O RCA Club, sala que já se tornou a casa para este tipo de iniciativas, recebeu no dia 7 de fevereiro uma maratona de oito bandas que mostrou diversidade, coesão e, acima de tudo, compromisso.

CULT OF ALCAEUS

Coube aos Cult of Alcaeus abrir a noite, tarefa que nem sempre é simples num cartaz longo. A banda optou por uma entrada densa e atmosférica, com uma construção sonora marcada por ambiências sombrias e riffs arrastados, quase hipnóticos. Houve uma preocupação clara em criar atmosfera antes de procurar explosão, o que resultou numa abertura envolvente e progressiva. A plateia, ainda em fase de enchimento, foi sendo conquistada pela intensidade emocional e pelo peso calculado das composições. Foi um início sólido, inteligente e fiel à identidade do grupo.

CHAOSADDICTION

Os Chaosaddiction trouxeram uma energia mais direta e física. A agressividade foi assumida desde o primeiro tema, com uma secção rítmica compacta e uma presença vocal firme. A banda mostrou-se confortável em palco, com dinâmica e segurança. O público começou a responder com maior movimentação na frente do palco, num crescendo que ajudou a consolidar o ambiente de comunhão típico do RCA Club. A atuação revelou muita maturidade e uma entrega consistente do início ao fim.

OUTLESS

Outless foram, para muitos, a surpresa da noite. A banda apresentou uma performance musculada, coesa e cheia de atitude. A confiança em palco foi evidente, com riffs incisivos e uma secção rítmica que não perdeu intensidade. O momento mais marcante surgiu com a versão de “Show must go on”, dos Queen. Longe de ser um simples exercício de nostalgia, o clássico foi reinterpretado com peso e agressividade, sem perder a essência melódica. A ousadia foi recompensada com entusiasmo imediato da plateia, que cantou e reagiu com genuína surpresa. Foi um dos momentos mais memoráveis do festival.

MASS DISORDER

Mass Disorder mantiveram o nível elevado com uma atuação crua e frontal. A banda apostou numa abordagem direta, sem floreados, privilegiando impacto imediato. A comunicação com o público foi simples, mas eficaz, e cada tema reforçou a sensação de consistência. Houve solidez instrumental e uma postura segura que confirmou a experiência acumulada do grupo. O mosh tornou-se mais intenso e a sala já estava completamente entregue ao espírito do festival.

FONTE

O concerto dos Fonte foi, sem dúvida, um dos momentos mais emotivos da noite. O Paulo, vocalista esteve presente em palco, mas não pôde cantar devido a uma operação recente. A solução encontrada revelou um espírito de comunidade, tão forte como inspirador. Diversos convidados assumiram as vozes dos temas, entre eles Gaspar Animal, baterista dos Chaosaddiction, Gonçalo Luís, vocalista dos Diabolical Mental State, Sérgio Afonso, vocalista dos Bleeding Display, entre outros. Cada intervenção trouxe uma nuance diferente às músicas, sem comprometer a identidade da banda. O público percebeu que estava a assistir a algo especial e irrepetível. Mais do que um concerto, foi uma demonstração de comunidade e respeito mútuo dentro da cena.

BLEEDING DISPLAY

Bleeding Display elevaram a fasquia em termos de brutalidade com o seu death metal intenso e tecnicamente sólido. A execução foi rigorosa, com riffs pesados e uma bateria precisa que sustentou a densidade sonora. A voz cavernosa e poderosa contribuiu para um dos momentos mais extremos da noite. A resposta da plateia foi imediata, com mosh mais agressivo e entrega constante. A banda mostrou maturidade e confiança, consolidando o seu lugar no panorama nacional do género.

DIABOLICAL MENTAL STATE

Com os Diabolical Mental State, o thrash metal tomou conta da sala. Riffs cortantes, andamento veloz e uma atitude claramente influenciada pela escola clássica do género marcaram a atuação. O vocalista Gonçalo Luís destacou-se não só pela energia, mas também pelo gesto simbólico de usar “o manto sagrado”, uma t-shirt alusiva ao nosso podcast Caixa Negra, homenagem que reforçou a ligação à comunidade underground. A performance foi intensa, técnica e contagiante (como sempre!), com solos bem executados e uma secção rítmica sempre precisa e poderosa. O público respondeu com entusiasmo renovado, num dos momentos mais vibrantes da noite.

REVOLUTION WITHIN

O fecho ficou a cargo dos nortenhos Revolution Within, escolha natural para encerrar com autoridade. A experiência da banda refletiu-se num concerto seguro, musculado e extremamente coeso. O groove thrash que os caracteriza soou compacto e maduro, com riffs sólidos e uma bateria implacável. Houve domínio total do palco e capacidade de gerir a energia da sala, alternando momentos mais técnicos com explosões de intensidade. O público respondeu à altura, fechando a noite num ambiente de celebração coletiva.

Mais uma vez, o Slax Metal Fest foi uma afirmação clara da força do metal nacional, da diversidade de propostas e, sobretudo, do espírito de comunidade que mantém esta cena viva. 
Numa noite de temporal, longa e exigente, ficou evidente que o underground português continua ativo, coeso e, acima de tudo, feroz e preparado para crescer.

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