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UNHOLY NIGHT

UNHOLY NIGHT – RCA

A 19 de dezembro de 2025, Lisboa celebrou mais uma noite dedicada ao underground pesado, com o Unholy Night a acontecer no RCA Club, em Alvalade. O evento, com a produção assinada pela SLC, abriu portas às 20h30 e apontou o arranque dos concertos para as 21h00, com bilhetes acessíveis por 10€ (pré-venda) e 12€ (no próprio dia).
O cartaz inicialmente divulgado incluía Yokovich, Nowhere To Be Found e Faemine, mas os Faemine acabaram por não marcar presença por razões de força maior, tal como foi comunicado antes da data, e a noite ficou com Yokovich, Nowhere To Be Found e HeadDrop.
A fechar, o conceito de “noite pré-Natal” levou o público para lá do último acorde: a after party ficou atribuída à DJ Ana Isabel Arroja.
Desde cedo se percebeu que não seria uma noite comum. A sala foi-se compondo gradualmente, reunindo um público heterogéneo, atento e conhecedor, que não procurava apenas entretenimento, mas sim uma experiência imersiva. O ambiente era denso, carregado de expectativa, com uma energia que se foi acumulando à medida que as luzes baixavam e o som começava a ganhar corpo.

HEADDROP

Head Drop: o impacto do regresso
Coube aos Head Drop abrir a noite, e fizeram-no com a segurança de quem regressa ao palco sem necessidade de provar nada. A banda apresentou um set coeso, assente num metal direto, de riffs pesados e andamento sólido, onde cada tema parecia cumprir uma função clara dentro do alinhamento. A secção rítmica impôs um groove constante, enquanto as guitarras construíram paredes sonoras compactas, sem excessos técnicos ou ornamentais.
O concerto destacou-se pela honestidade da abordagem: não houve artifícios, apenas entrega. Essa frontalidade acabou por conquistar rapidamente o público, que respondeu com atenção e envolvimento, criando desde logo a base emocional da noite. Foi uma atuação que confirmou a maturidade da banda e o acerto do seu regresso ao ativo, mostrando que o tempo apenas serviu para solidificar identidade e intenção.

NO WHERE TO BE FOUND

Nowhere To Be Found: tensão emocional e construção atmosférica
Com os Nowhere To Be Found, o ambiente ganhou novas camadas. A banda trouxe para o palco uma abordagem mais cinematográfica, onde peso e melodia coexistem num equilíbrio cuidadosamente trabalhado. A fusão entre metal alternativo, rock moderno e elementos electrónicos resultou num concerto denso, emocionalmente carregado e tecnicamente seguro.
A dinâmica do alinhamento foi um dos pontos fortes da atuação: momentos de contenção deram lugar a explosões sonoras intensas, criando contrastes que mantiveram o público constantemente envolvido. A presença vocal, expressiva e segura, funcionou como eixo emocional do espetáculo, enquanto a instrumentação sustentava uma tensão contínua que nunca se dissipava por completo. Foi uma atuação que demonstrou maturidade artística e uma clara identidade estética, consolidando a banda como uma das propostas mais interessantes da nova geração.

YOKOVICH

Yokovich: intensidade, controlo e catarse final
A fechar a noite, os Yokovich assumiram o palco com autoridade. A sua sonoridade, fortemente marcada por influências industriais e pelo peso do metal alternativo, criou um ambiente quase ritualista dentro do RCA Club. O som era eletrizante, físico, e sempre controlado, revelando uma banda plenamente consciente da força do seu discurso sonoro.
A interação entre guitarra e baixo, eletrónica e secção rítmica construiu uma onda sonora que envolveu por completo o público, agarrando pelos colarinhos a sua atenção, apoio e interação!
A entrega da banda foi total, tanto em termos performativos como emocionais, e a resposta do público refletiu essa intensidade, transformando o concerto num verdadeiro momento de comunhão entre palco e plateia.

Uma noite que reafirma a vitalidade da cena
O Unholy Night acabou por ser mais do que um evento isolado no calendário de dezembro. Foi uma afirmação clara de que a cena pesada nacional continua viva, criativa e capaz de mobilizar públicos fiéis, mesmo fora dos circuitos mais óbvios.
A organização da SLC revelou sensibilidade na curadoria e na criação de um ambiente coerente, onde cada banda teve espaço para afirmar a sua identidade sem perder o fio condutor da noite.
Num contexto cultural muitas vezes dominado pela superficialidade, esta noite no RCA Club lembrou que ainda há espaço (e necessidade!) para propostas autênticas, intensas e emocionalmente honestas.
O Unholy Night foi, de facto, uma afirmação de resistência cultural e de vitalidade artística, daquelas que permanecem na memória muito depois do último acorde se dissipar.

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